quinta-feira, 4 de abril de 2013

Discussão: A outra volta do parafuso



Tópico para discussão dos temas do livro, contem SPOILERS

Leia a resenha aqui: Impressões 


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  A discussão dos pontos desse livro não precisa ser muito extensa, para mim a obra tem um foco principal que foi abordado o tempo inteiro, que foi gerar essa ambiguidade nos ocorridos em Bly. As crianças estavam sendo realmente possuídas ? Foi tudo criado pela cabeça de uma jovem louca? 
O que realmente faziam Quint e Miss Jessel com as crianças?

  Começando dos assuntos que aparecem primeiramente, qual era a maldade real do casal ? Gostei realmente muito da escrito do autor por omitir todas essas informações, apesar da frustração que senti quando as duas governantas discutiam sobre o passado das assombrações.

  Assim que eu li a passagem dizendo que Quint passava tempo demais com Miles, e que ele era impróprio de alguma maneira, pensei imediatamente em abuso, mas descartei a idéia momentos depois, acho que considerei que um autor naquela época não escreveria sobre esse tipo de situação,por causa do estranhamento com a linguagem complicada ( li em inglês ), por que foi colocado que  ele e Miss Jessel tinha um relacionamento, ou talvez algum tipo de negação mesmo, quem sabe? Mas li que pesquisadores dizem que na época, os leitores entenderiam essa passagem como uma menção de abuso sexual.

  A impressão que tive então foi a de que Miss Jessel, totalmente apaixonada por ele, propositalmente mantinha os irmão separados, para que Quint pudesse fazer o que ele quisesse com Miles, e ganhar o respeito/amor dele dessa maneira. Mas também fica claro que ele apenas usava a coitada, afinal até na morte, não me lembro de uma cena dos dois fantasmas aparecendo juntos. 

  As partes finais do livro quando as crianças falam como se fossem adultos, presumidamente possuídos, são as mais interessantes, Henry James deveria ter usado esse técnica desde o começo, inserindo mais diálogos dinâmicos entre os personagens. Essa transformação no comportamento das crianças ficou muito sutil e clara, uma boa leitura. 

  Se tem uma coisa que me deixou confuso foi a explicação das atitudes de Miles no internato, pelo o que eu entendi ele foi influenciado por Quint, a dizer coisas a pessoas que ele gostava, coisas que ele "poderia ter dito quando escrevi para a família". O fato dele não se lembrar reforça de que ele foi inocente nesse caso, talvez então Quint tenha feito ele repetir coisas que ouviu quando estavam juntos, palavras que apenas adultos deveriam proferir, para outros adultos apenas. 

  Um ponto final que eu gostaria de ressaltar é a relação com o tio deles, é um ponto que me remete as minhas impressões finais ao ler o Morte Súbita (Rowlling. J.K ), sobre abandono, sobre a atitude de ignorar completamente aqueles que precisa de ajuda. 
  
 Se esse homem não visse as crianças como um fardo, não teria simplesmente deixado elas de lado, pedindo para não ser importunado com o que ocorria com a vida deles, deixando duas crianças a merce de pessoas com Miss Jessel e Quint. 

  Se não fosse por alguém que se importasse realmente, ou seja, a governanta, os dois provavelmente continuariam a ser utilizados a bel prazer do casal. Claro que podemos interpretar também que a loucura e superproteção de uma governanta maluca colocou a saúde dos dois em risco, que acarretou na morte do garoto. De uma maneira ou de outra a maior culpa é do tio ausente. 

  E claro, por que ela não conseguiu salvar o pobre garotinho!

  Um livro cheio de discussões, essa alegoria da orfandade que uma guerra traz, os vários níveis que esses inocentes indefesos sofrem com o mal da guerra e do abandono. Não lembro se o detalhe da guerra eu tirei do livro ou do pedaço do filme que eu vi. Mas se essa nota não constar no livro, podemos comparar a época em que foi escrito, alguma guerra estava ocorrendo ou se tinha acabado a pouco tempo. 

  E vocês? O que acharam? Concordam comigo ? Não? Deixem um comentário! 


  Abraços! 

 

3 comentários:

  1. Bom... vi seu vídeo e resolvi vir aqui para discutir um pouquinho o final, que me intriga até hoje.
    Assim que li a última frase do livro, achei que o garotinho tinha morrido de susto, de desgaste, de stress, sei lá... não admiti a possibilidade de algum ato pessoal da governanta, em razão da sua proteção, seu amor desmedido pelas crianças, sua vontade de salvá-los, etc.
    Depois, conversando com outras pessoas, acabei ficando com a impressão que Miles poderia ter sido sufocado por ela, que exatamente nessa ânsia de salvá-lo, acabou por machucá-lo fisicamente [uma chave de pescoço?!?! hehee]. Sei lá...
    O livro todo foi um prazer e uma surpresa, mas realmente... não sei o que pensar do final...
    O que você achou que aconteceu?

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    Respostas
    1. Errante, desculpe a demora em responder!

      Sabe que eu prefiro deixar o final nesse mistério do que decidir se foi um descuido da governanta ou se foi realmente algo sobrenatural? Gosto mais assim, foi realmente o ponto do autor, criar essa dúvida.

      Algo parecido com o doublethink de "1984" sabe? Carregar os dois finais no comigo, estar sempre discutindo entre os dois, uma hora se inclinar mais para o lado de um, outra hora se inclinar para o lado de outro, rs. No fim, coisa de louco minha!

      Obrigado pelo comentário :D

      Abraços

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  2. É um livro de terror psicológico e o narrador é em primeira pessoa, o que faz com que desconfiemos da sua fala e, portanto, do modo como os fatos se deram.
    Como todo bom livro de terror psicológico, não há descrições detalhadas para que tudo se torne claro. A escrita do James deixa lacunas para que o leitor preencha-as. Temos, pois, duas teorias que você bem citou: a existência de fantasmas ou uma repressão sexual vivida na época vitoriana. Portanto, um clássico! Filipe, você assstiu ao filme Os inocentes de 1961? É um filme baseado ou adaptado na obra.

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