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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Imoressões: Olhos de cão azul - Gabriel Garcia Marques

Livro: Olhos de cão azul  ( Ojos de perro azul )
Autor: Gabriel Garcia Marques ( 1927 - Colombia )
Editora: Record, 157 págs








Um aviso rápido aos incautos, conhecer Garcia Marques pode ser uma grande experiencia de estranhamento muito agradável !




Nessa reunião de contos do Colombiano somos levados sem preparação para a terra do realismo fantástico onde sonhos são de verdade, os mortos falam e chove semanas a fio. A escrita do autor é muito pessoal, todo leitor que quiser apreciar esses textos deve mergulhar de cabeça nas obras e entender que o entendimento universal não é uma premissa aqui.


O tema geral que liga os textos também é delicado: a morte. De uma forma brilhante o autor vasculha aspectos dessa "enimiga" e como ela pode ser encarada. Sensações e pensamentos surgem como se fossem reais e desaparecem como se não estivem lá para começo de conversa.


E o fantástico não para por ai, no conto "Nabo, o negro que fez esperar os anjos" acompanhamos os anos finais de um garoto preso no limbo entre a vida e a morte, uma família fantasma  e uma garotinha peculiar. No conto que da nome ao livro um casal discute a relação que só existe enquanto eles dormem, nos sonhos, não se conhecem na vida real. Em "Eva está dentro de seu gato" acompanhamos uma dama presa ao seu passado de mulher viva. "Dialgo com o espelho" retrata os dilemas de estranhamento que um homem pode sofrer ao se barbear. 

Nada é colocada de maneira muito convencional, como em um quadro impressionista onde os contornos não são bem definidos cabe ao leitor imaginar e interpretar o cenário e as suas explicações que permeiam os acontecimentos de cada texto. E em alguns contos um único personagem se desdobra em vários outros. 

O prazer dessa leitura me veio em sentir várias emoções e associar várias coisas a aqueles poucos elementos de texto, e de apreciar a beleza com a qual uma homem com um lápis e papel pode distorcer sua própria realidade, criar o que quiser. 



Os contos:

- A terceira renuncia
- A outra costela da morte
- Eva está em seu gato
- Amargura para três sonâmbulos 
- Diálogo com o espelho
- Olhos de cão azul
- A mulher que chegava as seis
- Alguém desarruma estas rosas
- Nabo, o negro que fez os anjos esperarem
- Noite dos alcaravões
- Isabel vendo chover em Macando 

Alguns são fácies de encontrar na internet, se tiverem curiosidade sobre o enredo de algum é só me perguntar :)


sábado, 13 de abril de 2013

Impressões: Realidades Adaptadas - Philip K. Dick

Livro: Realidades Adaptadas
Autor: Philip K. Dick
Editora: Aleph 2012 ( 303 páginas )





   Quais são as várias realidades pelas quais podemos passar? Qual dessas situações nos  mostram como humanos? Ou ainda, quais delas nos tornam humanos ? E somos realmente humanos afinal de contas?

   Que tal se aventurar no mundo de sua própria memória? Brincar com suas dúvidas e certezas sobre o passado? "Lembramos para você a preço de atacado" é um lema atrativo mas como o autor nos mostra, algumas lembranças foram enterradas por razão muito boas.

   Talvez então um assunto mais profundo? Se não quiser questionar a suas frágeis memorias que tal questionar o próximo? Ah sim, é muito mais fácil apontar dedos, sucumbir a paranoia. Podemos ser enganados muito facilmente, e esses enganos podem custar muito caro. A dificuldade de distinguir o humano do fac-símile levou Philip K. Dick a criar "A segunda variedade", título que pode ser aplicado a diferentes conceitos.

 Mas vamos retornar a atenção de volta a nós mesmo...depois de duvidar de nossas memorias e da humanidade dos outros o próximo passo lógico é duvidarmos de nossa própria humanidade, lendo esse texto, consegue me garantir que você é você ? "O impostor" pode estar a espreita.

    
Agora que colocamos sua existência em xeque vamos começar os processos legais, correto? É claro, não temos provas para a acusação tanto quanto você não tem as de absolvição...mas vamos ordenar uma prisão mesmo assim. Não é mais seguro ser prevenido? Não é mais justo cortar o mal pela raiz, antes que se propague? Em que relatório vamos confiar, no majoritário tao fácil de acatar ou no "Relatório Minoritário" e incerto?

   "O Pagamento" de um serviço bem prestado pela simples ilusão de um prêmio maior.Algumas vezes a prova de sua inocência está nos fatos que parecem irrelevantes, em objetos insignificantes. A verdade é que quando estamos sendo perseguidos só podemos contar com nós mesmo e nossa astucia, nossa visão de futuro. Algumas vezes, para escapar de uma enrascada é melhor trocar

   Mas do que adianta tudo isso? A verdade é que somos frágeis, pequenos e superáveis. Não existe desconfiança ou tecnologia que nos salve de nosso próprio futuro. Tentar pegar as rédias do destino é  negar nossa própria mortalidade, a mortalidade de nossa raça. Estamos fadados a adorar novamente "O Homem Dourado" que cultuávamos antigamente.   

   No final nos submetemos ao destino, ao superior, seguimos nossas vidas enquanto uma "Equipe de Ajuste" molda nossos caminhos para nós, com sorte conseguimos vislumbrar através dos moldes da realidade para voltamos ao começo para duvidar de você, de mim, de todos.

    Essas foram exatamente as sensações que tive ao ler os contos dessa coletânea inédita de um dos mestres da ficção-científica. A dúvida, sempre a dúvida. 

      





PHILIP KINDRED DICK (1928 - 1982 )







quinta-feira, 4 de abril de 2013

Impressões: A Outra volta do Parafuso - Henry James




Livro: A Outra Volta do Parafuso ( The Turn of The Screw - 1989 ) 
Autor: Henry James 
Edições: http://www.skoob.com.br/livro/112773-outra-volta-do-parafuso








   Sutileza é uma arte do passado. A proeza de aterrorizar as pessoas, de colocar emoções a flor da pele e de mante-las querendo mais disso apenas com o poder de sua proza é um feito para poucos. É verdade que uma obra como A outra volta do parafuso causa medo real na época em que foi publicada, mas depois dessa leitura posso afirmar que o livro ainda tem o poder provocar o suspense no leitor, em algum ponto sua imaginação toma conta do seu lado mais racional, é ai que Henry James se instala para contar uma boa história de fantasmas. 

   Nesse livro vamos conhecer a luta de uma mulher muito jovem, mas determinada, uma mulher lutando contra forças que desconhecemos, e isso é verdade para qualquer interpretação que você tire da história. A personagem principal demonstra garra para tentar proteger as crianças sob sua guarda de influencias que querem tomar conta delas, de sua pureza e de suas vidas. 


   Não espere pular da cadeira com surpresas e imagens horrorosas ou com outras formulas conhecidas, o tratamento do assunto na mão do autor é sutil. Toda a ação vai se passar dentro de nossas cabeças e da mente da governanta, tudo isso orquestrado para gerar dúvidas constantes e fazer com que nós mesmos criemos o suspense, maquinando as ações de antagonistas calmos e silenciosos.

   Enquanto a linguagem diferente e estilo de escrita podem ser um empecilho no começo, vale muito a pena chegar até o terço final do livro, onde o texto intricado vai dando lugar a diálogos intrigantes mas que não esclarecem de maneira direta nenhum dos mistérios levantados. 

   Para conhecer o enredo melhor e mais da minha opinião sobre o livro veja o vídeo ai em cima.     
                                                                                       











quarta-feira, 20 de março de 2013

Impressões: O sentido de um fim - Julian Barnes

   



   De vez em quando nos deparamos com uma leitura um pouco mais intrigante, até especial. Foi isso que aconteceu comigo nos último dias.


Livro: O Sentido de um Fim ( The sense of an ending )
Autor: Julian Barnes
Editora: Rocco, 2012 ( 159 páginas )


O design da capa é simples mas muito belo
   Esse é um livrinho que engana, passei a maior parte da leitura considerando o "fim" do título tão somente como o fim da vida, mas é muito mais que isso. Julian Barnes utiliza seu personagem Tony, um senhor divorciado que passa da marca dos sessenta, para dialogar livre e profundamente com o leitor sobre várias questões filosóficas. 
   
  Um acontecimento na vida de Tony obriga a rever os anos de colégio, as relações com amigos e namoradas da época, a consequência é uma analise da sua vida, e descobrir que talvez ele a tenha deixado passar, aceitado a vida que veio, reprimido algumas memorias. E assim acompanhamos as reflexões desse homem tão comum mas tão interessante. Em momento algum a narrativa parece um texto acadêmico e é repleto de questionamentos. 

   Separado em duas partes, a primeira com relatos da sua vida no colégio e os amigos, um deles em especial, extremamente inteligente e que considerava muito, fazia-o refletir. A segunda já no presente quando recebe de herança uma quantia em dinheiro e uma carta, mas um item faltando no espolio vai obriga-lo a entrar em contato com uma antiga namorada e com isso rever emoções e lembranças. 

   Na juventude a contraposição com a vida de personagens de romances, as ideologias que deveriam ser seguidas a risca, a ilusão do saber, o sentido de que não podemos desperdiçar a vida que temos: controle e "aventura". 

   Na velhice a batalha com nossas memorias - "História é aquela certeza fabricada no instante em que as imperfeições da memória se encontram com as falhas da documentação". A comparação com os ideais da juventude, a descoberta de verdades do nosso passado. 
Esse é senhor de 67 anos que vai roubar sua atenção

   Como eu disse, apesar de falar muito do passado de um senhor de idade o autor não deixa de dialogar com todos que queiram ler, a questão da idade é quase que um disfarce. Fiz muitas marcações no livro dentre frases que marcaram e idéias que me fizeram pensar, mas fico com o sentimento que deixei passar muita coisa também. 

   Acho que o que me fez sentir apego com o livro foram os pensamentos que tive baseado na história, a escrita/narrativa em si não me chamou atenção em especial, mesmo a história é muito simples, não é uma grande trama com vários pontos diferentes, um simples resumo poderia fazer o livro parecerem entediante na verdade.

   Mas não é o caso de como está escrito, e sim do que está lá, depois da superfície. Senti prazer e angustia durante a leitura, a edição com capa dura em inglês entrou para minha lista de urgência. Você pode ler sem medo, vale a pena para pensar sobre o fim; o fim vida, dos relacionamentos, dos desejos, dos enganos, das memórias...

























quinta-feira, 14 de março de 2013

Impressões: A Revolução dos Bichos




Título: A Revolução dos Bichos  [ Animal Farm ] 
Autor: Geoge Orwell 
Editora: Companhia das Letras, 2007. 152 páginas. 
Preço: R$17 ~R$26 ( pesquisa realizada na data da resenha ) 


   Em uma fazenda na Inglaterra os animais se reúnem em volta do "Major", o animal mais velho e mais sábio , perto da morte ele quer transmitir aos seus colegas sua sabedoria de vida e abrir seus olhos para como tem sido tratados pelo fazendeiro Jones, assim como o futuro que os aguarda, fala também sobre a revolução, quando os animais se tornarão seus próprios mestres e os humanos deixaram de ser a espécie dominante. Após sua morte os animais da fazenda, liderados por dois porcos (Bola de Neve e Napoleão), tomam a fazenda de Jones a renomeiam de "Granja dos Bichos"

   A partir desse ponto os animais se organizam instituindo regras para o bem comum e para diferencia-los dos humanos, votam sobre os deveres e atividades da granja e trabalham de forma igualitária. Bola de Neve e Napoleão que aprenderam a ler e escrever são polarizados como lideres, colocando pautas e debatendo idéias para votação, até que um deles vai sofre um golpe do outro sendo expulso a força da fazenda. 

   George Orwell desenha sua história e os acontecimentos de acordo com o modelo básico de uma tomada da ditadura de esquerda, a tomado dos porcos do poder, a  imposição de regras, manipulação da verdade, demostrações de crueldade e força.

   Apesar de utilizar os elementos infantis da fabula o autor foi capaz de descrever todo conteúdo adulto necessário ao livro. É uma excelente introdução para as literaturas distópicas, principalmente "1984" por introduzir todos os temas abordados nesses livros de maneira simples e até didática.

   Os personagens fazem a história no livro, cada animal representa um dos extremos de personalidade que afloram em ditaduras, ovelhas que são seguidoras cegas, cavalos muito trabalhadores e crentes apesar de tudo, porcos manipuladores ( com destaque especial para "Garganta" , muito divertido! E desempenha um papel de muita importância ).

   Apesar do foco no socialismo/comunismo eu considero que as idéias aplicadas se encaixam perfeitamente em todo tipo de ditadura, incluindo as religiosas e conservadoras. Um livro rápido, com muito conhecimento e lúdico, com a narrativa inteligente, bem escrita e sem exageros. É dos livros obrigatórios as estantes. 




Fotos: 





quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Impressões: Como me tornei estúpido Martin Page

Para o desafio literário de 2013

Mês de fevereiro:  livros que nos façam rir : D



Título: Como me tornei estúpido / Original: Comment je suis devenu stupide
Autor: Martin Page ( França ) 
Editora: Rocco, 2005. 185 páginas







~ 


Nesse livro super curto acompanhamos a jornada de Antonie, jovem intelectual de 25 anos, na sua descendência a estupidez. 



Cansado dos estigmas e isolamento sociais, de toda a infelicidade e melancolia que sente por pensar de mais, e por analisar tudo, o protagonista decide que a melhor maneira de acabar com esses sentimentos de angústia é deixar de se importar, deixar de pensar, ou seja se tornar estúpido.


Martin Page utiliza seu personagem para nos mostrar o caminho mais fácil que podemos tomar. É comum dizer que quanto mais inteligentes, mais infelizes nos tornamos; esse livro analisa o outro lado da questão.

Será que estupidez é realmente melhor? A banalização do pensamento vale a pena?

Com um humor sarcástico o autor coloca esse ponto de vista a prova e cria diversas situações inusitadas para Antonie, que servem para rir ( um humor sempre inteligente ) e para chocar.

Recomendo o livro para: pensar e rir levemente durante as viagens de ida e volta do trabalho e escola/faculdade que são exatamente os momentos em que pensamos sobre os pontos que o livro aborda. 

A edição da Rocco é bonita e tem o tamanho de um livro de bolso, leve e prático para levar a qualquer lugar com material de qualidade. O preço do livro até a data do post começa em R$15,00 nas lojas virtuais. 

~

A capa do muito bonita: 







O Autor: 





terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Discussão : Morte Súbita / The Casual Vacancy - SPOILERS


Esse é um tópico para discussão do livro, que contém spoilers do enredo completo!


Clique em "Mais Informações >>" para ler


Impressões: Morte Súbita / The casual Vacancy - J. K. Rowling




A história:

No novo romance da autora vamos acompanhar a vida cotidiana e os acontecimentos na cidadezinha de Pagford após a morte de Barry Fairbrother. Barry fazia parte do conselho da cidade e sua morte deixa um vaga nesse conselho, começa então na cidade um duelo (nem sempre silencioso) para preencher a vaga.

A autora utiliza a morte do personagem como o estopim para discussão do tema do livro. O conselho paroquial, a cidade e seus habitantes estão divididos em dois polos, os que gostariam de ver a porção da cidade vizinha de Yarville, que é chamada de “Filds”, ser entregue novamente a jurisdição de Yarville; e os que defendem que Pagford deve continuar responsável por aquela extensão e seus custos. Na mesma disputa está em pauta o destino da clinica para reabilitação de drogados ( que aluga um prédio administrado pelo conselho de Pagford) frequentativa principalmente pela população dos Fileds.

O “Fields” é um área subsidia pelo governo, com casas de construção popular, onde se concentram todos os moradores pobres da região, e podemos comparar a situação do local com as favelas Brasileiras, apesar da infraestrutura diferente o desenvolvimento social é o mesmo, com proliferação do tráfico de drogas e vandalismo.

Para as famílias conservadoras da cidade próspera de Pagford não existe razão para sustentar vagabundos e drogados que “nunca trabalharam um dia de suas vidas”, mas para habitantes como Barry Fairbrother, que cresceu no Fields, a a ministração de Pagford é essencial para mudar a vida de habitantes que, como ele, só tem a chance de crescer na vida por causa das vantagens oferecidas por Pagford.



Todo o enredo do livro segue as vidas de diversos núcleos familiares interligados, são MUITOS personagens e o começo do livro é dedicado a apresentar e descrever cada um deles ( o começo da leitura é um pouco arrastado por causa disso ) e esse é um ponto da escrita muito característico da escritora, a maneira como ela consegue dar vida a cada um dos personagens com sua descrição de pequenos fatos e da maneira como eles se vestem, você reconhece cada um deles facilmente.

“...Ela era uma mulher baixa e robusta com a cara larga e singela, que cortava o próprio cabelo cada dia mais grisalho – a franja por vezes um pouco torta – usava roupas de tecidos caseiros, de variedade artesanal e gostava de adornos feitos de sementes e madeira. A saia de hoje pode ter sido feita de serapilheira, que ela combinou com um grosso cardigã verde ervilha. Tessa quase nunca se olhava em espelhos longos, e boicotava lojas onde isso era inevitável” [ Pág 41 - Tradução Livre]        

Eu senti em todos os pontos da história e que fica muito claro a posição politica da Rowlling, e isso é claro nos personagens que são caricatos, apesar de todos lutarem com os próprios dramas e nenhum ser considerado santo, os “vilões” da história tem atitudes e características físicas que me fizeram sentir um desprezo grande por eles.

Mesmo os habitantes que lutam pela causa “justa” não são perfeitos e tem suas razões particulares, mas a construção deles me levou a sentir pena ou gostar deles, a ver a posição deles mais de maneira mais favorável.

Os adolescente da trama são definitivamente os mais cativantes, os que mudam mais, eles sim eu pude entender mais claramente, ou perdoar em certos pontos.

Depois do primeiro terço do livro é que a história engrena de verdade e eu senti vontade de continuar acompanhando o que acontecia em cada uma das casas, e cada personagem diferente que representa um problema social diferente, que serve para desmitificar o convívio aparentemente perfeito e superior da cidade de classe media e alta, para aproximar essas pessoas das menos sortudas que vivem no Fields.

Chega a um ponto no livro que eu marquei quando eu senti que literalmente todos os personagens estavam escolhendo fazer a própria vida miserável. Deixou um gosto comigo de desespero mesmo.



São muitos temas pesados tratados de forma direta e alguns vezes com muitos palavrões, o que para muitas pessoas foi forçado, mas eu não tive esse sensação, pra mim ajudou a deixar os personagens mais reais.

É muita coisa acontecendo no livro, muita informação e muitos personagens, algumas você se perde um pouco nos detalhes se perde um pouco com a mudança constante no ponto de vista de personagem para personagem, mas nada que desestimule a leitura.

Eu recomendo o livro que carrega a mensagem da autora de maneira forte e bruta, com todas as qualidades na narrativa que me fizeram gostar da Rowlling na saga de Harry Potter. E por falar nessa série, acho que vale comentar que os dois livros tem muito a ver sim. Os dois são histórias boas que a autora conta para transmitir um mensagem social ao leitor, mas no caso de Harry Potter essa mensagem vem junto de uma dose de magia para aliviar a situação, em “Morte Súbita” essa mensagem vem na forma de um soco no estômago.  






sábado, 16 de fevereiro de 2013

Impressões: O Hobbit J R R Tolkien

Impressões de Leitura



 O Hobbit por J R R Tolkien

Nesse livro acompanhamos a história da primeira aventura de Bilbo um hobbit que vive pacificamente com os seus no condado. Hobbits são criaturas muito pequenas com grandes pés e que vivem em tocas no chão, mas tocas arrumadas, confortáveis e mobiliadas com um grande despensa.
A história começa quando Bilbo recebe a visita de Gandalf, o mago, que procura o descendente da família Tûk para participar de uma aventura. Bilbo apesar te memórias do mago e realmente pertencer a essa família de hobbits audaciosos, não queria saber nada sobre aventuras e perigos e sim de viver sua vida pacata e confortável dentro da toca.

Gandalf não se convence e “força” o Hobbit a conhecer um pouco mais sobre a tal aventura ao convidar 13 anões para a casa de Bilbo. Ele está sendo convidado a participar como um ladrão para o grupo de anões que está em viajem para retomar o que é deles de direito. O grande tesouro e a fortaleza da montanha solitária onde seus antepassados viviam antes da chegada de Smaug, um temível dragão que ,atraído pela grande riqueza dos anões , ataca a montanha e expulsa os anões de lá tomando o ouro e prata para si.

Bilbo inicialmente se vê aturdido com tudo aquilo mas, como descobrimos com a leitura, acaba por se juntar a expedição mesmo que “sem querer” com a promessa de 1/14 do tesouro. 

O narrador da história é onisciente mas se foca principalmente em Bilbo. Algumas vezes ele descreve o que ocorre em outro local longe do grupo principal e algumas vezes esse narrador interrompe a história por algumas linhas para fazer uma relação com outra aventura, ou com o futuro, mas volta ao texto original dizendo que é uma história para outra hora. Então esse narrador está na verdade conversando com o leitor e não apenas contando a jornada.

É um livro curto e de leitura muito rápida, ele descreve o que acontece sem muitos rodeios ou filosofias. Mas apesar de ser curto acontecem muitos eventos diferentes na história, o que acarreta uma sensação de correria na narrativa


Os personagens principais são:

 Bilbo, que muda bastante ao longo da jornada, passando do ladrão assustado e sem experiencia a um hobbit corajoso, que descobre novas coisas sobre si, apesar das mudanças no comportamento dele serem brusca.

Os treze anões, que na verdade são tratados como um único personagem, nenhum deles, com um breve exceção ao final do chefe Thorin, desenvolve uma personalidade própria e identificável, algumas vezes o escritor descreve um pouco de dois ou três deles e dá uma voz a Thorin, mas ele está sempre falando pelo grupo. Na maioria das vezes são tratados em uníssono como “os anões”, “os anões fizeram”, “os anões disseram”, sempre com a mesma opinião. Mas é um grupo engraçado.

O Mago Gandalf é o personagem mais conciso da história, e acompanha a jornada até a metade do livro , é um mago inteligente e poderoso, muito ativo em situações de aperto, tem a personalidade forte e impactante mesmo não acompanhando a história toda.


Uma gama rica de tipos e personagens secundários também são apresentados, mas nenhum ganha muito desenvolvimento.

Outro ponto forte do livro são os variados apuros em que os personagens se metem, como eu disse, são tratados apresadamente, e muitas vezes se resolvem por milagre, mas são situações que mereciam um desenvolvimento mais profundo.


O que acontece é que durante o livro todo o autor chega em um ponto que começa a crescer em tensão, aumenta e pede um resolução de acordo, que nunca vem, o que vem na história é uma resolução mágica que me deixou desanimado, meio que broxa a narrativa entende ?


Talvez a explicação esteja no fato de que Tolkein escreveu o livro para seus filhos pequenos e não pensava em publicá-lo, tem vários pontos fortes sim, tem um mensagem muito boa na história sobre amizade e ganancia, escondida sobre a aventura na terra média. Realmente por tantos acontecimentos você chega ao final com um pensamento de que leu muita coisa, um livro bem mais longo. Talvez então seja o caso de não começar a ler as histórias desse mundo por este livro, talvez começar pela saga dos Senhor dos Anéis, e se você gostar do mundo que lhe foi apresentando, complementar a leitura com O Hobbit.